Lino: transformando exercícios repetitivos em engajamento

Redesenho gamificado reduziu o abandono do treino fonoaudiológico, elevando a conclusão em 42%.

Papel
Product Designer
Duração
6 semanas
Cliente
Apple Developer Academy
Categoria
UX/UI Mobile
Telas do Lino

Overview

Problema

A terapia fonoaudiológica infantil depende de repetição constante. As crianças se desmotivam com ela, e pais e terapeutas não conseguem acompanhar o progresso fora do consultório.

Solução

Um app gamificado que torna a terapia mais envolvente para a criança e acompanhável para pais e terapeutas.

Impacto

+42%de atividades concluídas
+38%de frequência semanal

Processo de Design

Conduzi o projeto de forma iterativa, em descoberta, definição, ideação e prototipação. Como líder de design, priorizei validar o comportamento dos usuários antes de aprofundar a interface, para não investir em solução visual que não resolvesse o problema central.

Cronograma do projeto com Challenge Based Learning: Engage, Investigate e Act

Causas e oportunidades

Entrevistei 8 crianças, 15 responsáveis e 10 fonoaudiólogos na Comunidade Beira Rio, na Várzea, e encontrei três dores conectadas: a repetição cansa e derruba o engajamento, os responsáveis não enxergam a evolução e os terapeutas perdem visibilidade da prática em casa. Ao cruzar as três, percebi que o problema não era falta de exercício, era a forma como a repetição era vivida. A decisão central foi transformar repetição em progresso percebido, atuando no momento de maior abandono.

Pesquisa na Comunidade Beira Rio / Várzea: entrevistados, números e falas
Falas de fonoaudiólogos sobre a rotina de exercícios

Definição de Público e Comportamento

Modelei dois perfis. A criança responde a estímulo, recompensa e variação. O responsável busca clareza e segurança para saber se a prática funciona. Ao mapear a jornada, vi que a quebra de engajamento acontece durante a repetição, então priorizei esse momento em vez de expandir para funcionalidades paralelas.

Personas Ana Paula Oliveira e Lucas Oliveira, com mapa de empatia
Jornada da prática: descoberta, prática, progresso e avaliação

Arquitetura da Solução

Dividi o produto em dois núcleos: Home, com atividades, missão diária e medalhas para a criança, e Jornada, com progresso, relatório e gestão de atividades para o responsável. Foi uma decisão consciente para separar ação de acompanhamento, reduzir a carga cognitiva e permitir evoluir o produto sem aumentar a complexidade.

Arquitetura do Lino, com os núcleos Home e Jornada

Wireframing

Usei wireframes para validar estrutura e fluxo antes da interface final. Dois problemas apareceram: o feedback de recompensa precisava ser imediato dentro da atividade, não no fim, e o dashboard da Jornada tinha informação demais. Simplifiquei para os dois indicadores mais acionáveis.

Wireframes das telas de Home, Medalhas, Missão Diária e atividade

Sistema visual

Escolhi a SF Pro Rounded pela leveza e consistência com as HIG da Apple. Defini quatro cores com papel fixo: azul para atividades e acompanhamento, laranja para conquistas, rosa para a missão diária e verde para as áreas de suporte. A criança deveria identificar o contexto pela cor antes de ler qualquer texto.

Tipografia SF Pro Rounded e escala tipográfica
Paleta de cores e ícones
Componentes da interface

Protótipo de Alta Fidelidade

Cada tela responde a uma oportunidade da pesquisa. Na Home, missão diária, streak semanal e medalhas tornam a repetição progresso visível. Em Atividades, pontuação em tempo real, instrução ilustrada e palavras reais com imagem e áudio de referência transformam o exercício em jogo. O feedback aparece só nos acertos: se a criança erra, a atividade segue sem interrupção e o resultado completo vem no final. Na Jornada, relatório exportável, calendário de prática com os dias treinados, média de acertos e histórico transformam o acompanhamento informal em dado estruturado.

Protótipo das telas de Missão Diária, Home e Medalhas
Protótipo das telas de Jornada e Progresso

Resultados e Validação

Testei por 3 semanas com 6 crianças, 5 responsáveis e 3 fonoaudiólogas, amostra pequena que indica direção mais do que conclusão. Observei as mesmas crianças com o método tradicional e depois com o Lino, nas mesmas condições em casa. A conclusão de atividades subiu 42%, a frequência semanal 38% e o tempo médio de engajamento por sessão 31%, e 87% dos responsáveis relataram maior clareza sobre o progresso.

O principal aprendizado foi o mecanismo por trás dos números: ver pontos e estrelas acumulando em tempo real reduzia a resistência à repetição. Aprender a articular um fonema não tem feedback imediato, e o design precisava criar esse feedback.

Resultados do teste de 3 semanas: +42%, +38%, 87% e +31%

Aprendizados que o Lino me trouxe

  • Teste com crianças precisa vir mais cedo no processo. Validei wireframes com adultos e só vi o problema no protótipo final: adultos subestimam a impaciência infantil com fluxos longos.
  • Separar os fluxos foi a decisão mais impactante. Só foi possível porque as personas foram mapeadas a fundo antes de qualquer decisão de arquitetura.
  • Teste de retenção era importante para as métricas. Os testes mediram engajamento dentro da sessão, não retenção, então D1 e D7 seriam as métricas prioritárias. Também priorizaria um alerta proativo ao responsável, que hoje só percebe uma falta de prática ao abrir a Jornada por conta própria.
Os três aprendizados do Lino

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