Lino: transformando exercícios repetitivos em engajamento
Redesenho gamificado reduziu o abandono do treino fonoaudiológico, elevando a conclusão em 42%.
- Papel
- Product Designer
- Duração
- 6 semanas
- Cliente
- Apple Developer Academy
- Categoria
- UX/UI Mobile

Overview
Problema
Solução
Impacto
Processo de Design
Conduzi o projeto de forma iterativa, em descoberta, definição, ideação e prototipação. Como líder de design, priorizei validar o comportamento dos usuários antes de aprofundar a interface, para não investir em solução visual que não resolvesse o problema central.

Causas e oportunidades
Entrevistei 8 crianças, 15 responsáveis e 10 fonoaudiólogos na Comunidade Beira Rio, na Várzea, e encontrei três dores conectadas: a repetição cansa e derruba o engajamento, os responsáveis não enxergam a evolução e os terapeutas perdem visibilidade da prática em casa. Ao cruzar as três, percebi que o problema não era falta de exercício, era a forma como a repetição era vivida. A decisão central foi transformar repetição em progresso percebido, atuando no momento de maior abandono.


Definição de Público e Comportamento
Modelei dois perfis. A criança responde a estímulo, recompensa e variação. O responsável busca clareza e segurança para saber se a prática funciona. Ao mapear a jornada, vi que a quebra de engajamento acontece durante a repetição, então priorizei esse momento em vez de expandir para funcionalidades paralelas.


Arquitetura da Solução
Dividi o produto em dois núcleos: Home, com atividades, missão diária e medalhas para a criança, e Jornada, com progresso, relatório e gestão de atividades para o responsável. Foi uma decisão consciente para separar ação de acompanhamento, reduzir a carga cognitiva e permitir evoluir o produto sem aumentar a complexidade.

Wireframing
Usei wireframes para validar estrutura e fluxo antes da interface final. Dois problemas apareceram: o feedback de recompensa precisava ser imediato dentro da atividade, não no fim, e o dashboard da Jornada tinha informação demais. Simplifiquei para os dois indicadores mais acionáveis.

Sistema visual
Escolhi a SF Pro Rounded pela leveza e consistência com as HIG da Apple. Defini quatro cores com papel fixo: azul para atividades e acompanhamento, laranja para conquistas, rosa para a missão diária e verde para as áreas de suporte. A criança deveria identificar o contexto pela cor antes de ler qualquer texto.


Protótipo de Alta Fidelidade
Cada tela responde a uma oportunidade da pesquisa. Na Home, missão diária, streak semanal e medalhas tornam a repetição progresso visível. Em Atividades, pontuação em tempo real, instrução ilustrada e palavras reais com imagem e áudio de referência transformam o exercício em jogo. O feedback aparece só nos acertos: se a criança erra, a atividade segue sem interrupção e o resultado completo vem no final. Na Jornada, relatório exportável, calendário de prática com os dias treinados, média de acertos e histórico transformam o acompanhamento informal em dado estruturado.


Resultados e Validação
Testei por 3 semanas com 6 crianças, 5 responsáveis e 3 fonoaudiólogas, amostra pequena que indica direção mais do que conclusão. Observei as mesmas crianças com o método tradicional e depois com o Lino, nas mesmas condições em casa. A conclusão de atividades subiu 42%, a frequência semanal 38% e o tempo médio de engajamento por sessão 31%, e 87% dos responsáveis relataram maior clareza sobre o progresso.
O principal aprendizado foi o mecanismo por trás dos números: ver pontos e estrelas acumulando em tempo real reduzia a resistência à repetição. Aprender a articular um fonema não tem feedback imediato, e o design precisava criar esse feedback.

Aprendizados que o Lino me trouxe
- Teste com crianças precisa vir mais cedo no processo. Validei wireframes com adultos e só vi o problema no protótipo final: adultos subestimam a impaciência infantil com fluxos longos.
- Separar os fluxos foi a decisão mais impactante. Só foi possível porque as personas foram mapeadas a fundo antes de qualquer decisão de arquitetura.
- Teste de retenção era importante para as métricas. Os testes mediram engajamento dentro da sessão, não retenção, então D1 e D7 seriam as métricas prioritárias. Também priorizaria um alerta proativo ao responsável, que hoje só percebe uma falta de prática ao abrir a Jornada por conta própria.

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